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Biblioteca Municipal de Barcelos Comemora o 20º Aniversário de Abertura ao Público na Casa dos Machados da Maia

A Biblioteca Municipal de Barcelos vai comemorar o 20º aniversário de abertura ao público na Casa dos Machados da Maia, na próxima sexta-feira, dia 9 de dezembro.

Assim, a partir das 14h30, no auditório, realizar-se-á o I Encontro de Escritores Barcelenses que se iniciará com uma viagem pela literatura barcelense por Manuela Ascensão Correia. Seguir-se-ão dois painéis: o primeiro, subordinado ao tema “A poesia está “carregada de silencioso mistério e sedução””, será moderado por Armindo Cerqueira e contará com a participação de Alberto Serra, Bernardete Costa, Paulo Pego e M. Branco de Matos; o segundo, subordinado ao tema “É preciso mais do que a vontade para escrever”, será moderado por Ádila Faria e contará com a participação de Domingos da Calçada, Fernando Pinheiro, José Ilídio Torres e Rui Sousa Basto.

Seguir-se-á, pelas 18h00, a inauguração da exposição “Poesia Ilustrada”, com declamação de poemas por Armindo Cerqueira. À noite, pelas 21h30, realizar-se-á um recital de canto e piano, com Helena Ressurreição (canto) e José Carlos Vilas Boas (piano).

Refira-se que a Biblioteca Municipal de Barcelos foi fundada, numa sala do edifício dos Paços do Concelho, em 10 de junho de 1880, para comemorar o tricentenário da morte de Luís de Camões. Depois de um período de inatividade, que se seguiu ao fim da 1ª República, o seu espólio foi organizado e tratado, elaborado um regulamento e abriu ao público, em 1944, ainda no edifício dos Paços do Concelho, ala poente, nas salas onde funcionou a Escola Primária Superior, sob a direção do major Mancelos Sampaio. Depois da morte deste, em 1957, a decadência da Biblioteca Municipal foi-se acentuando cada vez mais, culminando com o encaixotamento da maior parte do seu espólio e encerramento ao público.

Com o 25 de Abril, a Biblioteca Municipal abriu ao público, em 30 de Março de 1979, num edifício situado na rua Infante D. Henrique, tendo sido sucessivamente dirigida por Maria Teresa Sélles Paes (1968-1981), Armando Malheiro, (setembro de 1981 a maio de 1983) Penteado Neiva (junho de 1883 a agosto de 1884) e Victor Pinho, responsável pela instituição desde Setembro de 1984.

Depois da assinatura do contrato-programa com o I.P.L.L. –Instituto Português do Livro e da leitura, em 28 de Outubro de 1988, e da aquisição da Casa dos Machados da Maia, em Agosto de 1990, a Biblioteca Municipal de Barcelos abria ao público em 9 de dezembro de 1996, com inauguração oficial em 9 de Julho do ano seguinte, com a presença do ministro da cultura, Manuel Maria Carrilho.

A Casa dos Machados da Maia

Edifício típico do século XVI, de traça manuelina, com a silharia descoberta e patinada, é um dos exemplares quinhentistas mais completos e perfeitos que ainda existem em Barcelos.

Situada no largo Dr. José Novais, é uma casa de dois andares (térreo e nobre), ampla, de grande telhado alto, com ameias trabalhadas e goteiras figurando “bombardas” da época.

Das aberturas atuais que apresenta, primitiva deve ser apenas a porta principal – segundo António Júlio Trigueiros, Sj - pois tanto a outra porta do primeiro piso, como a feição das janelas do andar nobre são alterações mais modernas.

Todo o interior do edifício foi transformado pelas obras efetuadas pela Câmara Municipal para adaptação a biblioteca, subsistindo apenas, o átrio com escada para o andar nobre.

Na fachada ostenta incrustada, a pedra de armas quinhentista, com escudo francês, chefe de linhas côncavas, elmo com paquife, virol e timbre de Machado (dois machados passados em aspa), de composição esquartelada de Machados, no 1º e 4º quartel (cinco machados) e Maias, no 2º e 3º quartel (uma águia), apresentando por diferença, uma flor de lis.

Quanto à datação da Casa dos Machados da Maia, deve rondar a primeira metade do século XVI e ser obra de António Machado da Maia, muito embora haja notícias de seus antepassados viverem em Barcelos desde meados do século XV.

Nos descendentes de seu irmão se manteve pelo menos até finais do século XIX, muito embora tenha sido emprazada, nos meados do século XVI, a seus parentes, os Machados Mirandas, senhores da Quinta da Breia, em Vermoim, que aqui viveram até cerca de 1760.

Foi então emprazada à família Pedrosa Pereira Barreto, de Viana do Castelo. Tendo-se esta família extinguido em 1825 pela morte de Luís Lopes Veloso Barreto, este nomeou o Prazo em pessoas amigas, a família Forte de Sá, de Barcelos.

Nesta última família se conservou até 1885, ano em que foi comprada pelo médico, Dr. José Joaquim Duarte Paulino do Vale, que a legou em 1911, à Santa Casa da Misericórdia de Barcelos. Acabou por ser arrematada, em hasta pública, em 1916, pelo Dr. José Júlio Vieira Ramos, que aqui residiu.

RECITAL DE CANTO E PIANO

A mezzosoprano Helena Ressurreição, do Conservatori del Liceu, de Barcelona e o pianista José Carlos Vila Boas do Conservatório de Música de Barcelos vão realizar na noite do dia 9 de Dezembro, pelas 21h30, no auditório da Biblioteca Municipal de Barcelos um recital de canto e piano. Durante este recital, que se integra no programa de comemorações do 20º aniversário da abertura ao público da Biblioteca Municipal de Barcelos na Casa dos Machados da Maia, serão interpretadas obras de Miguel Ângelo Pereira, Croner de Vasconcelos, Vianna da Motta, J. Massenet, G. Bizet, F. Liszt, W.A. Mozart e G. Rossini.

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