A Torre Medieval de Barcelos acolhe, de 23 de janeiro a 15 de março, a exposição “Dois Fios, uma Trama”, de Conceição Dias Pereira e Silvestre Duarte. A inauguração está marcada para amanhã, às 17h00.
No Norte de Portugal, o linho assumiu, desde a Idade Média, um papel central na economia agrícola e na produção têxtil, sendo durante séculos trabalhado maioritariamente por mulheres das zonas rurais, em especial no Minho. É neste contexto histórico e cultural que se insere esta exposição, que pretende dar a conhecer o trabalho árduo, paciente e identitário associado ao ciclo completo do linho, da sementeira à tecelagem.
Filha de agricultores, Maria da Conceição Dias Pereira nasceu em 1953, na freguesia de Airó, concelho de Barcelos. Desde tenra idade acompanhou todo o ciclo do linho, aprendendo a arte da tecelagem, um saber transmitido de geração em geração na sua família. Mais tarde, já em idade adulta, frequentou uma formação profissional em tecelagem, decisiva para a sua afirmação enquanto artesã e para a profissionalização do seu trabalho. As suas peças são sobretudo utilitárias e decorativas — toalhas, naperons, cobertas, panos e sacos de pão — destacando-se, nos últimos anos, a criação de presépios em tecelagem, amplamente reconhecidos pelo público.
O percurso de Conceição Dias Pereira foi partilhado com o marido, Silvestre Lopes Duarte, natural de Cristelo, concelho de Barcelos, nascido em 1953. Com um percurso profissional diversificado, foi enquanto auxiliar técnico do Museu de Olaria de Barcelos que consolidou a sua ligação ao património cultural. Embora sem formação inicial na tecelagem, Silvestre Duarte começou a tecer quase por acaso, numa situação em que, sob orientação da esposa, acabou por se envolver diretamente no trabalho do tear. Desde então, nunca mais deixou de tecer, sendo hoje, tal como Conceição Dias Pereira, um artesão encartado.
“Dois Fios, uma Trama” é, assim, o encontro de dois percursos de vida que se entrelaçam num ofício comum, celebrando o saber-fazer tradicional, a memória coletiva e a resistência de uma prática cada vez mais rara no território barcelense. A exposição convida à reflexão sobre o futuro da tecelagem em linho, uma fibra nobre, de elevada qualidade e profundas raízes identitárias, num contexto marcado pela escassez de artesãos e pela quase inexistente produção da matéria-prima em Portugal.
A exposição pode ser visitada na Torre Medieval, de segunda a sexta-feira, das 9h30 às 17h30, e aos sábados, domingos e feriados, das 10h00 às 13h00 e das 14h30 às 17h30. A entrada é livre.




