O secretário de Estado da Cultura destacou, ontem, a relevância do património arqueológico de Barcelos e anunciou a certificação do Caminho Português de Santiago de Torres. Segundo o governante, esta medida “contribui para valorizar o conjunto do património jacobeu português, do qual Barcelos constitui uma das referências mais emblemáticas”. Alberto Santos falava na sessão de abertura das Jornadas Europeias de Arqueologia 2026, que decorreu nos Paços do Concelho de Barcelos.
No encerramento da sessão, o secretário de Estado da Cultura anunciou a publicação, em Diário da República, de uma portaria, assinada em conjunto com o secretário de Estado do Turismo, que certifica o Caminho Português de Santiago – Caminho de Torres – Região Norte. Uma certificação que, conforme referiu, “também terá impacto em Barcelos”, percorrendo territórios como o Alto Douro Vinhateiro e o Centro Histórico de Guimarães.
“Com cerca de 180 quilómetros, atravessando quinze municípios do Norte do país, este itinerário reúne património arqueológico, património arquitetónico, património religioso, paisagem cultural, memória histórica e património cultural imaterial”, explicou.
Esta certificação, acrescentou Alberto Santos, “contribui para valorizar o conjunto do património jacobeu português, do qual Barcelos constitui uma das referências mais emblemáticas, quer pela sua ligação histórica às peregrinações, quer pelo lugar singular que ocupa no imaginário associado ao Caminho de Santiago”.
Na sua intervenção, o governante destacou, ainda, a relevância do património arqueológico na preservação da memória coletiva e na construção do conhecimento sobre o território. Sublinhou também o trabalho desenvolvido pelo Município de Barcelos na investigação, proteção e valorização do património arqueológico local, referindo igualmente o concelho como uma das referências históricas associadas ao Caminho Português de Santiago.
“Barcelos possui um património arqueológico de enorme relevância e desenvolveu, ao longo dos anos, um trabalho consistente de investigação, proteção e valorização do seu território. O Castelo de Faria, os povoados castrejos e os múltiplos vestígios arqueológicos identificados no concelho mostram bem a profundidade histórica desta região e a atenção que lhe tem sido dedicada”, referiu.
Na abertura da sessão, o presidente da Câmara de Barcelos, Mário Constantino Lopes, destacou a riqueza e diversidade do património arqueológico do concelho, referindo vários sítios e projetos de investigação em curso no território. Entre eles, destacou a Estação Arqueológica do Castelo de Faria, o Balneário Castrejo de Galegos Santa Maria, o Balneário Castrejo do Monte da Saia – Fornos dos Mouros, a Lage dos Sinais, o Castro de São Mamede, o Convento do Banho, em Vila Cova, e as Necrópoles de Mondim e de Paradela.
O autarca sublinhou ainda a importância de valorizar, conservar e tornar acessível este património, defendendo que os espaços arqueológicos devem ser “fáceis de visitar e fáceis de entender” por todos os cidadãos.
O programa da sessão integrou a mesa-redonda “Perspetivas da Investigação e Valorização em Castros” – moderada pela vice-presidente do Património Cultural, I.P., Ana Catarina Sousa –, que reuniu investigadores, docentes universitários e arqueólogos ligados ao estudo do fenómeno castrejo. A responsável destacou a importância das Jornadas Europeias de Arqueologia enquanto espaço de aproximação entre a arqueologia e a sociedade, promovendo a divulgação do conhecimento científico e a valorização do património cultural.
A sessão incluiu ainda a apresentação do 28.º volume da Revista Portuguesa de Arqueologia, publicação de referência dedicada à divulgação da investigação arqueológica desenvolvida em Portugal.
As Jornadas Europeias de Arqueologia (JEA) 2026 decorrem em simultâneo em 30 países europeus, de 12 a 15 de junho, visam aproximar a arqueologia dos cidadãos, promovendo o conhecimento, a valorização e a preservação do património arqueológico. Em Portugal, as JEA são coordenadas pelo Património Cultural, I.P..



